Empurrado por um Ginásio Nilson Nelson pulsando em clima de decisão, o CAIXA/Brasília Basquete suportou uma batalha emocional contra o Flamengo e voltou às semifinais do Novo Basquete Brasil (NBB) depois de uma década. Na noite desta sexta-feira (15/5), os extraterrestres venceram os cariocas por 72 a 69, no quinto e decisivo jogo das quartas de final, encerrando uma das séries mais equilibradas e tensas da temporada nacional. O adversário candango na próxima fase será o Franca, líder da etapa classificatória da competição. O primeiro jogo será em São Paulo, na segunda-feira (18/5), às 20h.
A classificação brasiliense ganhou contornos ainda mais dramáticos pelo roteiro construído ao longo da partida. Nervoso, físico e truncado desde o salto inicial, o confronto refletiu exatamente o peso de um jogo cinco de playoff do NBB. O Brasília Basquete chegou a construir uma vantagem confortável de 19 pontos ainda no segundo quarto, mas viu o Flamengo crescer na reta final, impulsionado pelo desgaste físico da equipe local, limitada pela rotação reduzida em razão dos problemas de lesão acumulados durante a série.
O cenário decisivo permaneceu completamente aberto até os segundos finais. Mesmo pressionado emocionalmente e fisicamente, o Brasília mostrou frieza nos lances livres e maturidade defensiva para sobreviver à tentativa de reação rubro-negra. A tensão tomou conta do Nilson Nelson até a posse derradeira. No fim, o cronômetro zerado consolidou uma classificação carregada de simbolismo para a franquia candanga.
Vantagem grande
O Brasília entrou em quadra determinado a transformar o Nilson Nelson em fator decisivo na série. Com intensidade defensiva altíssima, os extraterrestres sufocaram o Flamengo desde os primeiros ataques e abriram vantagem rapidamente. O time candango controlava o ritmo emocional da partida, dificultava infiltrações e aproveitava o nervosismo carioca para acelerar a diferença no placar. Paulichi apareceu agressivo ofensivamente, enquanto Brunão dominava o garrafão. O primeiro quarto terminou com superioridade local: 21 a 12.
A pressão brasiliense aumentou ainda mais no segundo período. Com ótima circulação ofensiva e forte presença física, o Brasília alcançou a máxima de 19 pontos de frente diante de um Flamengo completamente desconectado ofensivamente. Corvalán distribuía bem o jogo, Pedro aparecia em momentos importantes e o time da casa controlava a atmosfera do duelo. A reação rubro-negra começou apenas na reta final do quarto, reduzindo parcialmente o prejuízo antes do intervalo. Ainda assim, os candangos foram aos vestiários sustentando boa margem: 43 a 34.
A partida mudou completamente de temperatura na volta do intervalo. Com dificuldades físicas evidentes pela rotação curta e sem o lesionado Pedro, o Brasília perdeu intensidade defensiva e passou a sofrer diante do crescimento ofensivo do Flamengo. Negrete assumiu protagonismo nos cariocas, enquanto os rubro-negros elevaram a agressividade no ataque e passaram a controlar melhor os rebotes — fundamento no qual terminaram superiores por 50 a 39. Mesmo pressionado, o Brasília evitou o colapso graças à disciplina tática e à capacidade de controlar parcialmente o prejuízo emocional do jogo. O terceiro período terminou com os visitantes mais próximos e o clima no Nilson Nelson já completamente tomado pela tensão: 57 a 53.
Drama até o último lance
Os 10 minutos finais transformaram o ginásio em um caldeirão nervoso. Silencioso nos momentos difíceis e pulsantes em busca da reação. O Flamengo chegou definitivamente no jogo e deixou tudo indefinido até os últimos ataques. Cada posse parecia decisiva. Cada erro aumentava o peso emocional da partida. O Brasília já não tinha o mesmo ritmo físico do início, mas compensava na entrega defensiva e no controle emocional nos momentos críticos. Nos segundos finais, os extraterrestres mostraram a maturidade necessária para sobreviver a uma partida de playoff.
Com aproveitamento decisivo nos lances livres (ambos os times terminaram com 14 acertos no fundamento), o Brasília segurou a pressão rubro-negra e confirmou a vitória histórica por 72 a 69. Paulichi terminou como principal pontuador candango, com 18 pontos e oito rebotes. Brunão contribuiu com 15 pontos, enquanto Pedro apareceu com 13. Pelo Flamengo, Negrete liderou a reação carioca ao anotar 22 pontos. O apito final encerrou mais do que uma série equilibrada. Representou também o retorno do Brasília Basquete ao grupo dos quatro melhores times do país após 10 anos de ausência entre os semifinalistas do NBB.
