Agência Brasília
Cinco atletas do Distrito Federal conquistaram medalhas em provas individuais e coletivas nos Jogos Pan-Americanos, disputados em Lima, capital do Peru, e que terminaram nesse domingo (11/8). Os brasilienses fizeram bonito em suas modalidades e voltam para casa, também, com recordes pessoais e satisfeitos com os resultados conquistados no mais importante evento esportivo das Américas. Para alcançar o pódio, o caminho dos atletas, porém, foi longo. Além de treino, dedicação e esforço, eles contaram com o apoio dos programas da Secretaria de Esporte e Lazer, como o Compete Brasília e o Bolsa Atleta.
Três desses atletas são bem conhecidos por moradores locais: Caio Bonfim, que conquistou a medalha de prata nos 20 km da Marcha Atlética; Ângela Lavalle, que levou o bronze no vôlei de praia; e Kawan Figueiredo, que também conquistou a medalha de bronze nos saltos ornamentais, na categoria plataforma 10m. Os três são esportistas que treinam e moram em Brasília. Os outros dois são a nadadora brasiliense Manuella Lyrio, atleta do Esporte Clube Pinheiros (SP), que ganhou a prata no revezamento 4x100m e o bronze, no revezamento 4x200m; e Aboubacar Drame, que faturou o bronze no vôlei masculino.
Marcha atlética
Principal nome da marcha atlética brasileira, Caio Bonfim, que treina em Sobradinho, subiu ao pódio no Pan-Americano de Lima, em 4 de agosto, na prova em que é especialista. Os 20 km de marcha já havia rendido ao esportista a quarta posição nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. No Pan deste ano, após um percurso longo e desgastante, Caio encerrou sua participação no evento, domingo (11), com o quarto lugar na prova dos 50 km com o tempo de 3h57min54.
“Termino muito feliz. Como atleta de alto rendimento, sei o que é enfrentar subidas e descidas. Briguei pela medalha, mas terminei em quarto. Os 50 km é a prova mais longa do atletismo. Treinei muito para os 20 km, onde conquistei a prata. Sou treinado pelos meus pais em Brasília e aprendi logo cedo que nas Américas não existe time B na marcha”, contou Caio em entrevista para o site do Comitê Olímpico do Brasil (COB).
Quem superou a marca pessoal nessa prova foi a brasiliense de coração, Elianay Pereira. A atleta nasceu em Tocantins, mas aos quatro meses de vida já estava em Brasília. E treina diariamente com a equipe Caso-DF de Sobradinho. Elianay foi a quinta colocada e obteve o recorde pessoal na prova, com 4h29m33s. Com o resultado, ela atingiu o índice para o Campeonato Mundial em Doha, no Catar, que será realizado de 27 de setembro a 6 de outubro.
Saltos ornamentais
Nas piscinas, a alegria veio com Kawan Figueiredo, que foi bronze nos saltos ornamentais ao lado de Isaac Nascimento. Eles conquistaram a medalha na categoria plataforma 10m. Kawan nasceu no Piauí, mas chegou em Brasília ainda criança. Morador do Gama, ele deu os primeiros saltos no Centro Olímpico e Paralímpico (COP) da cidade, onde passou por outras modalidades antes de iniciar nos saltos ornamentais. Mas em 2013, aos 11 anos de idade, ele descobriu, por meio do projeto Futuro Campeão, da Secretaria de Esporte e Lazer, que tinha talento para a modalidade.

“Pratiquei futsal, capoeira e, depois, os saltos ornamentais. Foi nessa modalidade que as portas se abriram e eu me tornei um atleta profissional. Continuo morando no Gama e sempre que sobra um tempo volto lá para ver minhas origens”, disse. Além do Pan, este ano ele participou do Mundial de Esportes Aquáticos, em julho, na Coreia do Sul. A viagem foi realizada por meio do Compete Brasília. Kawan também é Bolsa Atleta, na categoria Nacional, do Governo do Distrito Federal. Atualmente, o atleta é do Instituto Pro Brasil, coordenado pelo professor Ricardo Moreira.
Esportes coletivos
Nas provas coletivas, vale destacar a medalha de bronze do vôlei masculino com Aboubacar Drame e Matheus Bispo. Abouba é descendente de imigrantes africanos, e começou a se interessar pelo vôlei inspirado nas irmãs mais velhas que praticavam a modalidade. Com oito anos, o jovem teve as primeiras aulas em um projeto social de São Sebastião. Quando completou 19 anos, entrou para o time da Upis e participou de competições universitárias e da segunda divisão da liga de vôlei. Foi por meio da Upis que Aboubacar, apareceu para o cenário do esporte nacional e teve a oportunidade de jogar a Superliga de Vôlei.
Já a nadadora brasiliense Manuella Lyrio é atleta do Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo, e nos Jogos Pan-Americanos de Lima conquistou o bronze na prova de revezamento 4x200m livre, ao lado de Larissa Oliveira, Gabrielle Roncatto e Aline Rodrigues, após terminaram a prova com o tempo de 8min07s77 ficando atrás do EUA e Canadá. E o quarteto formado por Manuela, Etiene Medeiros, Larissa Martins, e Daynara de Paula também conquistou a prata no 4×100 livre com o tempo de 3m40s39, ficando atrás apenas do EUA.
Vôlei de praia
Outra atleta conhecida no DF é Ângela Lavalle. Quem passa diariamente pelo Parque da Cidade Sarah Kubitschek deve ter observado a atleta treinando vôlei nas quadras de areia do local. Ela faz dupla com a cearense Carol Horta e para chegar aos Jogos Pan-Americanos, Ângela também contou com o Compete Brasília. As passagens para as competições fora de Brasília foram fundamentais para o entrosamento com sua parceira de quadra.
O resultado de todo o esforço foi o primeiro pódio brasiliense no Pan de Lima. No dia 30 de julho, por dois sets a zero, elas levaram a melhor em cima da dupla cubana e conquistaram a medalha de bronze. A premiação entra para coleção da atleta, que conta também com o ouro nos Jogos Mundiais Militares de 2011 no Brasil, o bronze no Campeonato Mundial Militar de 2014, na Alemanha e a prata em uma das etapas do Circuito Mundial de Vôlei de Praia 2019, na China.

Nesses dois últimos anos, 2018 e 2019, Ângela conseguiu o benefício das passagens, por meio do Compete Brasília, em dez ocasiões. Além disso, Ângela conseguiu o Bolsa Atleta, um auxílio da Secretaria de Esporte e Lazer. Desde 2014, pelo menos, ela recebe o benefício na categoria Internacional, o que a ajuda a garantir a manutenção pessoal e a se dedicar exclusivamente ao treinamento esportivo.
“Nosso calendário nacional é longo e a maioria das vezes é fora do DF e uma das maiores despesas é com as passagens aéreas e o Compete Brasília nos dá esse apoio. Meu treinador também viaja com esse benefício, que é fundamental para o ranqueamento nacional e internacional, o que teve como consequência a vaga no Pan-Americano de Lima”, destacou.
*Com informações da Secretaria de Esporte e Lazer
