Opinião: Salve o Brasiliense!

Aos 30 anos Gabriel Dias, torcedor do Jacaré, relembra sua relação com o clube

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*O texto a seguir é um artigo opinativo e, portanto, é de inteira responsabilidade de seu autor. As possíveis opiniões e/ou conclusões nele emitidas não estão relacionadas, necessariamente, ao ponto de vista do Distrito do Esporte.

Por Gabriel Dias*

Dia 02 de junho de 2001. Eu era uma criança correndo nos pilotis de um prédio a poucos quilômetros do estádio Elmo Serejo, em Taguatinga, Distrito Federal. O porteiro do prédio, sujeito de aparência sisuda, mas de conversa muito simpática chama a mim e aos outros amigos que estão brincando ali e diz: vocês viram? O Iranildo fez um gol igualzinho ao do Pet (em referência ao gol que Petkovic fez sobre o Vasco na final do Carioca daquele ano).

Eu me pergunto por alguns segundos sobre o que ele estaria falando e seguimos as brincadeiras.

Alguns minutos depois, estamos jogando futebol na quadra ao lado do prédio e passam vários carros com pessoas em bandeiras e camisas verdes gritando “pentacampeão!“. Eram torcedores do Gama. Mais uma vez me pergunto o que está acontecendo e no dia seguinte descubro que o Gama venceu uma equipe chamada Brasiliense, conquistando seu quinto título distrital consecutivo.

A primeira vez

Não demorou muito e, numa tarde qualquer de 2002, estou escutando rádio e ouço uma partida de futebol, com o brilhante narrador André Luís Mendes pela rádio Nacional Brasília. Aquele time chamado Brasiliense estava ganhando uma partida pela Copa do Brasil contra o Vasco do Acre e passando de fase. O que eu não tinha noção é que o Brasiliense era fundado em 01 de agosto de 2000 e estava iniciando uma caminhada meteórica para um clube com menos de 2 anos de idade.

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Aquele 2002, ano de Copa do Mundo, foi se desenrolando e, ainda sem entender o que se passava, eu vi em jornal o relato sobre uma épica e histórica classificação do Brasiliense, aquele time que chamava atenção com o seu uniforme todo amarelo e cheio de patrocínios, que havia segurado um empate com o tradicional Náutico em Pernambuco debaixo de uma chuva torrencial e se classificava para as oitavas de final da Copa do Brasil. Agora eu já começava a ficar profundamente impactado.

A TV exibiu uma reportagem mostrando um jogador chamado Wellington Dias, destacando sua batida na bola e seus gols olímpicos. Eu não sabia a qualidade que aquele jogador tinha. O Brasiliense enfrentou o Confiança de Sergipe nas oitavas de final da Copa do Brasil e com uma goleada de 4×1, passou às quartas de final, feito histórico para o jovem futebol do DF, feito impressionante para uma equipe de 2 anos de idade.

Wellington Dias, sempre ele

O meu tio foi nos visitar e contou que o Brasiliense havia ganho a primeira partida, mas para o meu espanto ele venceu o gigante Fluminense. Ocorre que o segundo jogo seria no Maracanã e com gol dele, Wellington Dias, numa falha bizarra do goleiro tricolor, o clube do DF marcava a história com caneta de ouro, chegando a uma semifinal de copa nacional para enfrentar o Atlético Mineiro.

O jogo foi transmitido na TV e toda a minha família parou para assistir o espantoso time de Wellington Dias e Gil Baiano fazer 3×0 em pleno Mineirão. Meu pai nos levou para assistir a segunda partida e vi ali, diante dos meus olhos, o show de Wellington Dias e companhia vencendo novamente o Atlético Mineiro, agora em casa, por 2×1, e carimbando o passaporte para a final contra o poderoso Corinthians do treinador Carlos Alberto Parreira.

“pela primeira vez na vida ouvi aquele grito da torcida visitante abraçando a minha tristeza em ver o meu time tomando um gol.”

Vimos o primeiro jogo também pela TV e o Brasiliense foi, como na opinião da maioria das pessoas, prejudicado por uma má arbitragem e derrotado por 2×1 no Morumbi, em São Paulo. Fomos ao jogo de volta na esperança do título com uma vitória simples por 1×0 e aquele estádio Serejão com sua maioria pintada de amarelo sentiu o gosto do título pelo gol de falta de Wellington Dias até o momento em que, já no segundo tempo, Deivid colocou a cabeça na bola e pela primeira vez na vida ouvi aquele grito da torcida visitante abraçando a minha tristeza em ver o meu time tomando um gol.

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Valente, histórico, o Brasiliense foi vice da Copa do Brasil em 2002.

Naquele mesmo ano seria campeão da Série C do Campeonato Brasileiro. Dois anos depois seria pela primeira vez campeão candango, numa sequência que só seria interrompida pelo Ceilândia em 2010, foi também campeão do Campeonato Brasileiro da Série B em 2004. Eu e meu pai acompanhamos tudo aquilo assiduamente, com jogos de estádio lotado até mesmo em dias da semana à tarde. Nós sempre nos olhando e dizendo: em casa o Brasiliense não perde.

O retorno do gigante

Infelizmente, em 2006, o Brasiliense já estava disputando a Série B do Brasil novamente, em 2007 o clube outra vez derrubaria gigantes como o Cruzeiro e chegaria até a semifinal da Copa do Brasil, onde foi derrotado pelo Fluminense. Em 2010, a equipe caiu melancolicamente na última rodada da Série B do Brasileirão e enfrentou um período difícil que culminou com a queda para a Série D em 2013 e até mesmo alguns anos sem se qualificar para divisões nacionais pelo campeonato candango.

Hoje, já disputando a Série D nacional há alguns anos consecutivos, o Brasiliense tem seus torcedores fiéis e apaixonados que acompanham o clube nas boas e nas más. O Jacaré deve ter alguns milhares de simpatizantes adormecidos e, pelo sucesso gigantesco do seu início de vida, traz consigo a esperança de voltar a empunhar o seu mascote, o Jacaré, pelo cenário do futebol nacional, levando consigo o futebol do DF. Hoje, 01 de agosto de 2020, 20 anos de Brasiliense Futebol Clube, que os dias gloriosos voltem para o Jacaré.

*Gabriel Dias tem 29 anos, nascido em Goiânia, é morador do DF desde os 9 meses de idade. Servidor Público da área da Educação, é amante de esportes, mais profundamente do futebol, desde a infância e já escreveu crônicas esportivas para os blogs Draftados e Futebol Raiz.

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